Incêndio na Área de Marselha 2025 — Mapa de Severidade de Queimadas e Análise por Satélite

Sobre este incêndio

Na manhã de 8 de julho de 2025, um violento incêndio florestal eclodiu em Pennes-Mirabeau e se espalhou rapidamente em direção à segunda maior cidade da França, Marselha. Em apenas algumas horas, o fogo consumiu 750 hectares de floresta de pinheiros e garrigue nos arredores do norte da área metropolitana de Marselha. O Ministro do Interior da França, Bruno Retailleau, viajou para o local naquela noite, enquanto a situação permanecia sob alta vigilância.

A proximidade do incêndio a um grande centro urbano causou interrupções imediatas e severas. O Aeroporto de Marselha-Provence — o 5º mais movimentado da França — foi fechado ao meio-dia, com 70 voos cancelados e aeronaves desviadas para Nice, Montpellier e Lyon. As autoestradas A55 e A50 foram parcialmente fechadas, e o serviço de trem TGV e TER para a estação Saint-Charles de Marselha foi suspenso, exceto na direção de Toulon. Dentro da cidade, bairros do norte, incluindo Saint-Antoine, l’Estaque, Saint-Henri e Septèmes-les-Vallons, foram evacuados à medida que a fumaça envolvia a cidade e a qualidade do ar se deteriorava drasticamente.

Mais de 720 bombeiros e fuzileiros-bombeiros foram mobilizados, com reforços de departamentos vizinhos. Nove bombeiros ficaram feridos e mais de uma dúzia de casas foram danificadas. O evento demonstrou como um incêndio florestal na interface urbano-florestal pode paralisar uma grande cidade europeia em questão de horas.

Linha do tempo e severidade

DataEvento
8 de julho de 2025 (manhã)Incêndio começa em Pennes-Mirabeau, espalhando-se em direção a Marselha
8 de julho de 2025 (meio-dia)Aeroporto de Marselha-Provence fechado; 70 voos cancelados
8 de julho de 2025 (tarde)750 ha queimados; autoestradas A55/A50 fechadas; norte de Marselha evacuado
8–9 de julho de 2025720 bombeiros mobilizados; incêndio controlado durante a noite
Pós-incêndio750 ha queimados; 9 bombeiros feridos; mais de 12 casas danificadas

A taxa de propagação do incêndio — 750 hectares em uma única manhã — foi impulsionada por fortes ventos de Mistral, temperaturas acima de 35°C e décadas de acúmulo de combustível nas florestas de pinheiros ao norte de Marselha. A interface urbano-florestal tornou a evacuação e a proteção da infraestrutura extraordinariamente complexas.

Análise por satélite

Imagens de satélite Sentinel-2 capturam o impacto do incêndio na interface urbano-florestal de Pennes-Mirabeau.

Severidade da queimada (dNBR)

MétricaValorData da imagem
NBR pré-incêndio0.01829 de junho de 2025
NBR pós-incêndio0.0218 de agosto de 2025
dNBR−0.003
Classe de severidade USGSNão queimado (média da área)

Os valores extremamente baixos de NBR (0.018–0.021) refletem o caráter urbano desta zona — a caixa delimitadora inclui áreas densamente construídas, estradas e infraestrutura onde o NBR é próximo de zero. O incêndio queimou através de manchas fragmentadas de garrigue intercaladas com desenvolvimento, então o sinal médio da área é diluído. A análise em nível de pixel das manchas de garrigue queimadas mostraria um declínio significativo do NBR, mas a cobertura mista do terreno mascara isso no nível agregado.

Linha do tempo da vegetação

PeríodoNDVINBRNDMIContexto
Jan 20240.1520.0360.002Inverno — vegetação muito baixa
Jul 20240.1480.020−0.025Verão — NDMI negativo (seca)
Jan 20250.1540.0350.005Inverno pré-incêndio
Jun 20250.018Imagem pré-incêndio
8 de julho de 2025Incêndio começa
Ago 20250.021Imagem pós-incêndio — sem alteração na média da área
Jul 20260.1130.020−0.0171 ano pós-incêndio — NDVI diminuiu

Principais descobertas

A diminuição do NDVI de 0.148 (julho de 2024) para 0.113 (julho de 2026) sugere perda líquida de vegetação na zona, provavelmente devido a danos causados pelo fogo e à pressão urbana contínua. O NDMI persistentemente negativo (−0.017) indica que a vegetação restante está sob grave estresse hídrico. O impacto do incêndio na interface urbano-florestal é melhor avaliado por meio de análise de pixels de alta resolução do que por médias de área, pois a cobertura mista do terreno dilui o sinal do NBR.

Leia nosso guia completo: O que é NBR? →

Perspectivas de recuperação

As florestas de pinheiros entre Pennes-Mirabeau e Marselha queimaram repetidamente nas últimas décadas, e o incêndio de 2025 acelerará a mudança para garrigue e matagal mais resistentes ao fogo nas zonas mais severamente queimadas. O reflorestamento com povoamentos de espécies mistas — em vez da monocultura de pinheiro-de-alepo, propensa a incêndios — será essencial para reduzir o risco futuro. O monitoramento por satélite das trajetórias de regeneração de NDVI e NBR nos próximos 2 a 3 anos ajudará os gestores de terrenos a identificar onde a regeneração natural está sendo bem-sucedida e onde o replantio ativo é necessário. O incêndio também reacendeu o debate sobre as zonas de gestão de combustível entre a floresta e os subúrbios do norte de Marselha.

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